18 de junho de 2011

Avaliativo do novo Mercedes C250 CGI

Sedã da linha 2012 mostra bom fôlego, sofisticação e conforto para defender liderança

Mercedes-Benz C250 CGI: motor 1.8 deixa a impressão de que tem tanto fôlego quanto um V6 bem acertado

Oh, Lord, não é que a Mercedes-Benz acertou mesmo a mão com as mudanças na linha 2012 do Classe C? O sedã ficou sem novidades desde 2007, mas agora chega às lojas renovado e pronto para entrar na briga acirrada com os rivais conterrâneos (leia-se BMW Série 3 e Audi A4). Desta vez a marca alemã optou apenas por uma reestilização que inclui mais de dois mil novos componentes, mantendo a plataforma da geração atual, mas pareceu o suficiente para convencer o público exigente que costuma (e pode) comprar este tipo de carro. No caso do C250 CGI testado, o preço sugerido é de R$ 191.900.
Fica claro que os retoques visuais começam pelos faróis inteligentes, com olhar mais agressivo, em sintonia com os para-lamas alargados e com o capô de desenho mais fluido. Além disso, incluíram alguns defletores de ar nas laterais e na traseira, que ainda ganhou lanternas com leds no lugar das lâmpadas convencionais. Pode parecer pouco, mas saiba que foi o suficiente para melhorar consideravelmente a aerodinâmica. Segundo a fabricante, o coeficiente de arrasto (Cx) passou de 0,29 para 0,26, um dos menores do segmento. Vencendo a força do ar com mais facilidade, o carro se torna mais econômico e mais veloz.

Lanternas traseiras com leds no lugar de lâmpadas e defletores de ar no para-choque fazem parte das mudanças na linha 2012
Foi o que deu para perceber tanto na pista de testes em Tatuí (SP) quanto na avaliação do carro nos arredores de Campinas (SP). O aspecto mais agressivo do novo C250 CGI Sport já havia me animado desde que vi o carro parado na garagem, com sua cara de mau. Por dentro então, o resultado da reforma agrada ainda mais. Começa pelo novo volante de três raios com base achatada e com boas hastes para você se sentir no comando do novo câmbio de sete marchas 7G Tronic Plus. Além disso, o mostrador no meio do velocímetro agora é colorido de alta resolução. E na tela no centro do painel há como acessar a internet com ajuda do Bluetooth e do seu celular 3G ou as coordenadas do GPS, programado com mapas de todo do Brasil.

Mas o que eu queria mesmo era testar a saúde dos 204 cavalos do motor 1.8 turbo com injeção direta de gasolina. Pelo que deu para perceber, o carro tem dupla personalidade. Selecione uma música calma no novo sistema de som com entrada USB no console central e o carro vai responder com a mesma suavidade da melodia ditada pelo som dos violinos, usando o bom fôlego em baixa rotação. Pelas nossas medições, o C250 CGI vai de 60 a 100 km/h, em Drive, em apenas 4,7 segundos, com o velocímetro marcando 104,2 km/h. Ainda pisando de leve no pedal da direita, o carro faz 7,6 km/l na cidade e 12 km/l na estrada. Troque para um rock pesado e os quatro cilindros soltam a voz, fazendo o carro acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 7,7 segundos. Mas é preciso pisar com vontade, já que o acelerador é um tanto duro, como na maioria dos Mercedes.
Aproveitando que calçaram o sedã com rodas de 17 polegadas da AMG, montadas em pneus 225/45R, e a nova suspensão controlada eletronicamente Agility Control, resolvi entrar mais quente numa curva à direita e conferi na prática o que o engenheiro da marca alemã quis dizer com controle de rolagem da carroceria e precisão dos ângulos de câmber e convergência durante a apresentação técnica. De fato, mesmo com controle de estabilidade (ESP) desligado, o novo modelo se mantém estável pela suspensão firme, com ajuda da direção comunicativa, que transmite com precisão o que acontece entre os pneus e o asfalto. Os freios também dão conta do recado. Pisando forte no pedal, vindo a 80 km/h, foi preciso apenas 24,5 metros até a total imobilidade.

Interior caprichado inclui novo volante de três raios, mostrador digital de alta definição no meio do velocímetro, entre outros itens
Da pista de testes para o trânsito do dia a dia, o novo C250 CGI agrada por facilidades como o sistema Parktronic Guidance, que indica o momento certo de girar o volante para fazer uma baliza com ajuda de coordenadas na tela no meio do painel. Outros dois exemplos ficam por conta do sistema que detecta que o motorista está sonolento, sugerindo uma pausa para o café, e das luzes que iluminam as curvas de esquina e tornam o foco do farol mais forte a partir de 90 km/h.


Hastes para trocar marchas
finalmente estão do tamanho certo
 Bom também é que há como enviar músicas do celular para o sistema de som via Bluetooth. Por outro lado, é preciso se acostumar com os vários comandos concentrados na alavanca do lado esquerdo da coluna de direção e falta retrovisor interno fotocrômico. Existe apenas um singelo comando dia/noite, encontrado em qualquer popular.
Quando Janis Joplin suplicou a Deus por um Mercedes na canção de 1970, talvez tenha esquecido o salgado custo de manutenção. Porém, pelo o que a fabricante divulgou no lançamento do Classe C 2012 à imprensa, foi dito que a primeira revisão tem preço fixo de R$ 635, a segunda $ 1.302 e a terceira, o mesmo valor da primeira. Nada barato, mas longe de ser proibitivo. Também aproveitaram para informar que a versão perua chega no mês que vem e o cupê entre setembro e outubro, quando também desembarca o cobiçado esportivo C63 AMG.





Apesar o espaço para as pernas não ser dos mais generosos, há controle independente do ar-condicionado no banco traseiro


Nenhum comentário:

Postar um comentário